Luiz Augusto Pesce de Arruda comenta “Até Onde Eles Querem Chegar”


Excelentíssimo Sr. Prefeito,

“Nós prometemos não fazer o que já estamos fazendo…”
Agora as coisas se mostram como são na realidade, uma verdadeira cizânia, e uma verdadeira vergonha parida em conchavos fora do município.
Descobri este trecho de Eça de Queiroz, em seu livro “Farpas”, escrito em 1871, o qual retrata à perfeição o que está ocorrendo aqui na Princezinha:

“Aproxima-te um pouco de nós, e vê. O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caráteres corrompidos. A prática da vida tem por única direção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas idéias em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima abaixo! O tédio invadiu todas as almas. A mocidade arrasta-se envelhecida das mesas das secretárias para as mesas dos cafés. A ruína econômica cresce, cresce, cresce. As quebras sucedem-se. O pequeno comércio definha. A indústria enfraquece. A sorte dos operários é lamentável. O salário diminui. A renda também diminui. O Estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. Neste salve-se quem puder a burguesia proprietária de casas explora o aluguel. A agiotagem explora o lucro. A ignorância pesa sobre o povo como uma fatalidade. O número das escolas só por si é dramático. O professor é um empregado de eleições. A população ignorante, entorpecida, de toda a vitalidade humana conserva unicamente um egoísmo feroz e uma devoção automática. No entanto a intriga política alastra-se. O país vive numa sonolência enfastiada. Apenas a devoção insciente perturba o silêncio da opinião com padre-nossos maquinais. Não é uma existência, é uma expiação. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido! Ninguém se ilude. Diz-se nos conselhos de ministros e nas estalagens. E que se faz? Atesta-se, conversando e jogando o voltarete que de norte a sul, no Estado, na economia, no moral, o país está desorganizado – e pede-se conhaque! Assim todas as consciências certificam a podridão; mas todos os temperamentos se dão bem na podridão!”

Troque a palavra “País” por Araras e “conhaque” por cachaça e esse texto com 138 anos de existência permanece perfeitamente atual e representativo do que essa súcia é capaz.
Contudo, reafirmo que essa récua ao praticar as baixaria a que já estão acostumados, estão aplainando o caminho futuro de V.Exciª e do seu vice, pois limítrofes que são não conseguem visualizar cenários futuros.
E, mesmo que por milagre esse futuro se lhes apresentasse, tropeçariam no mesmo e não o veriam atrapalhados pelos antolhos que carregam.
Como já dizia o imperador mongol Gengis-Cã, há centenas de anos atrás, ”só os estúpidos fazem inimigos desnecessários, pois se julgam fortes demais para se preocuparem com isso.”
Esse erro estratégico será exposto quando do retorno de V.Exciª ao exercício da lide política na Prefeitura ou em cargo ainda maior.
Essa certeza, da minha parte é absoluta; quem viver verá!

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