Nos últimos dias temos acompanhado a divulgação de uma série de notícias retratando o que aparentava ser uma “repentina” crise econômica na Europa, em especial na Grécia, que trouxe certa surpresa por envolver países respaldados na “fortíssima” moeda da Comunidade Européia, o Euro. Aos que acompanham “de longe” a evolução do caso, tentaremos, de forma despretensiosa e à margem do “economês”, resumir a situação.
A exemplo do que ocorre em cada família, os países também precisam administrar suas receitas e despesas, preferencialmente buscando equilíbrio, para executar suas necessidades de despesas e investimentos. Entretanto, em muitos desses países as despesas e/ou investimentos vêm continuamente superando a receita, gerando o que se convenciona denominar “Déficit Público”. Quando isso ocorre é preciso que o país tome empréstimos para não paralisar suas rotineiras atividade de atendimento à população, e isso é feito através da emissão dos chamados “títulos da dívida pública”, uma espécie de compromisso formal que um país assume com determinado investidor que lhe empresta recursos de que, em determinada data, lhe devolverá o montante emprestado acrescido dos juros combinados.
É fácil assim perceber que tal situação até poderia ocorrer em caráter esporádico, mas a continuidade desses desequilíbrios entre receitas e despesas naturalmente conduz a uma situação financeira insustentável, onde os ajustes dos gastos às possibilidades de receitas são imprescindíveis para tentar “colocar a casa em ordem”.
Como cada país tem suas particularidades econômicas, existe uma medida padronizada para se avaliar as contas públicas em comparação a outros, que é a relação com o PIB (Produto Interno Bruto, que resumidamente significa a soma de todas as riquezas produzidas internamente).
Com todo o capital especulativo que circulava livremente pelo mundo, com mais ênfase até a grande crise imobiliária deflagrada nos EUA no final de 2008, os investidores analisavam a situação das contas públicas dos países que pretendiam investir com critérios mais frouxos, pois o dinheiro era farto e a busca por aplicação era incessante. Após essa forte crise, que demandou substancial aumento de gastos dos países para evitar piores efeitos, o temor dos investidores retomou certos critérios de análise antes de investir.
E essa análise mais criteriosa evidenciou dados extremamente perversos sobre as contas públicas de algumas economias européias, em especial os chamados PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha, em inglês Spain), capazes de comprometer seriamente a capacidade desses países em honrar os títulos da dívida já emitidos. Ganha destaque o nível em que chegou o Déficit Público (Despesas superando Receitas) desses países: Grécia – 12,7% do PIB, Irlanda – 12,2% do PIB, Espanha – 9,6% do PIB, Portugal 6,7% do PIB e Itália 5,5% do PIB. A título de comparação, o Déficit Público do Brasil em 2009 foi de 3,3% do PIB e para 2010 as projeções apontam para 2,5%. Quanto a Dívida Líquida, a Itália apresenta índice de 97,4% do PIB, ou seja, deve quase uma produção inteira de seu país, enquanto no Brasil o patamar atingido é em torno de 40%.
Com esses indicadores entendemos porque a Grécia é a “bola da vez” nos comentários especializados. Lá a situação se deteriora com anos de farra fiscal (gastos muito além da arrecadação), especialmente com o funcionalismo público que tem uma série de benefícios que o Estado não tem condições de sustentar. E a tentativa de revisão desses gastos atinge setores que promovem a série de manifestações observadas, numa situação especialmente difícil e conturbada.
Por mais que esses dados demonstrem a delicadeza do cenário, não é a situação individual de cada um desses países que preocupa a Comunidade Internacional. O risco mais temido está na possibilidade de contaminação da crise, dado o cenário de globalização, que permite instantânea migração de capitais e a própria disseminação na interligadíssima Comunidade Européia, onde qualquer inadimplência pode acarretar efeitos de um dominó em queda.
Nesse cenário, é natural que o investidor internacional se sinta reticente em investir e receoso em não reaver o capital aplicado. Assim, trata logo de embolsar os ganhos já percebidos em diversas localidades (como no Brasil, por exemplo) e retira seus recursos aplicados mundo afora para leva-los ao ainda porto seguro da economia, a dívida pública dos Estados Unidos, que paga juros baixíssimos, próximo a zero. Tal migração é que atinge as cotações de Bolsas de Valores e paridades com dólar em muitos países.
Para tentar evitar problemas maiores dessa nova crise, notamos esforços conjuntos do FMI e do Banco Central Europeu em anunciar um substancial pacote de recursos à disposição das economias que necessitarem, que num primeiro momento acalmou os mercados, mas dias após trouxe novas desconfianças quanto à real condição da Banco Central Europeu em garantir essa ajuda.
Por fim, é importante estarmos conscientes que nesse mundo globalizado, de rapidez da informação e de capitais especulativos quase que infinitos, novas crises continuarão a aparecer em freqüência cada vez maior e que, infelizmente, esse mundo financeiro aventureiro tem tomado proporções cada vez maiores em comparação à economia real, do sério capital produtivo, o que realmente preocupa.
RICARDO BUSO
ECONOMISTA

#1 por luiz augusto pesce de arruda - 15 de junho de 2010 às 23:30
Estimado Pedrinho,
Poder comentar neste blog é um privilégio, notadamente agora, em situação pós convenção, quando teremos todos nós a satisfação de referendar, mais uma vez, suas idéias apresentadas por uma dupla de políticos da melhor qualidade.
Melhor ainda é poder, mercê deste mesmo espaço, acrescentar uma pitada de tempero ao excelente comentário do Ricardo.
Fez o estimado comentarista um alerta sobre problemas que, quer queira ou não o Senhor Deslumbrado Presidente da República e seus seguidores, se descuidados, se transformarão em onda de proporções que não poderão ser imaginadas.
Uma das conseqüências econômicas, com resultados nefastos para nossa cidade, seria a eleição de quaisquer dos grupos políticos que tudo fizeram para tomar-lhe o mandato. Comprovadamente se mostraram incapazes de gerir a “maior empresa de Araras”.
Sempre que chamado a explicar tal postura comento: Não tenho partido, mas tenho opinião e lado e assim, desde os primórdios do lançamento de sua campanha optei por me compor ao lado de V.Exciª.
Explico: em qualquer lugar do mundo uma empresa do porte da PM – Araras, dois mil, quase três mil funcionários, orçamento de mais de 250 milhões anuais, teria um tratamento VIP em qualquer banco onde fosse correntista. Aquí ainda recebe tratamento de empresa com “nome no SERASA”.
Aqui AINDA se faz média quando as contas de uns prédios decrépitos (que já deveriam ter sido restaurados.., no mínimo por ordem do MP.) ou quando o… Ou… Ou… – por falar nisso, o Cine Santa Helena está como mesmo?…
Mas, pior mesmo foram as atitudes tomadas após as sinecuras assacadas contra V.Exciª.
Para esses fatos, e acontecimentos que ocorrerão – quem viver verá -, posto a crônica do “caga-sebo”, autoria de um amigo: Nathal.
È o retrato fiel da atual situação:
“Esse passarinho é um bebedor de néctar, e essa condição é aproveitada pelas pessoas para alimentá-los facilmente”. Eu mesmo, aqui em casa, tenho diversas garrafinhas de alimentação para eles, penduradas no quintal.
Quando coloquei a primeira garrafinha, três anos atrás, veio apenas um casal deles se alimentar do néctar. Eu gastava cerca de 3 colheres de açúcar por garrafa e colocava uma garrafa a cada 2 dias, se tanto.
O tempo foi passando e o número de passarinhos aumentando. De repente vejo no arbusto de dama da noite, que tenho no jardim, um ninho de pássaro. Foi muito bonito ver um pequenino se alimentando nas garrafinhas. Esse passarinho em questão cresceu e de cara se acostumou com o movimento da casa. Quando não há o néctar disponível, ele vem aqui em minha sala e começa a gritar. Dei-lhe o apelido de “sindicalista”.
Hoje estou gastando 4 quilos de açúcar por mês, e mais quatro quilos o meu sogro.
Há um bando deles, e das mais variadas raças, beija-flores, sanhaços, e caga-sebo aos montes. É a maior gritaria o dia “todo.”.
Fico pensando se um dia eu parar de colocar esse néctar diário o que aconteceria com os bichinhos.
Vão perder a pensão alimentícia que recebem de uma hora para outra. Vão ter de se virar e voltar a trabalhar para comer. Correr atrás do alimento, achar as flores, e concorrer com os milhares de outros pássaros espalhados pela cidade. Vai ser uma virada na vida fácil deles. Coitados, tão dependentes como são, serão os primeiros a perecer em meio à concorrência.
Qualquer semelhança dos seres humanos com esses passarinhos não é mera coincidência. Aliás, somos bem parecidos mesmo com os tais. Muita gente no mundo vive bebendo o néctar colocado pelos estados socialistas. É a maior farra com o açúcar público. Salários altos, aposentadorias, benesses e fraudes, fazem a vida fácil dos caga-sebos humanos.
Pena que o açúcar está acabando.”
Imagine então a gritaria que haverá após a abertura das urnas e a suspensão do consumo desse “açúcar”!
São fatos que, parafraseando um cartão de crédito: “NÃO TEM PREÇO”.
Parabéns!
#2 por Pedrinho Eliseu - 16 de junho de 2010 às 00:54
Muito obrigado pelo belo texto e pela força meu amigo . Não preciso nem dizer , está virando post ! Forte abraço !
#3 por cmhfslbcyen - 4 de agosto de 2010 às 18:02
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