Eu Admiro….Roberto Campos


                                                                                                                                                                            Sétimo ocupante da Cadeira 21, eleito em 23 de setembro de 1999, na sucessão de Dias Gomes e recebido pelo Acadêmico Antonio Olinto em 26 de outubro de 1999.

Roberto de Oliveira Campos, economista, diplomata e professor, nasceu em Cuiabá, Mato Grosso, em 17 de abril de 1917 e faleceu no dia 09 de outubro de 2001, no Rio de Janeiro, RJ.

Filho do professor Waldomiro Campos e de D. Honorina de Campos, casou-se com Stella e teve três filhos – Sandra, Roberto e Luís Fernando. Formou-se em Filosofia em 1934 e em Teologia em 1937, nos Seminários Católicos de Guaxupé e Belo Horizonte. Ingressou no Serviço Diplomático Brasileiro em 1939, por concurso. Mestrado em Economia pela Universidade George Washington, Washington D. C. Estudos de pós-graduação na Universidade de Columbia, Nova York. Doutor Honoris Causa pela Universidade de Nova York, NY, 1958. Doutor Honoris Causa pela Universidade Francisco Marroquim, Guatemala, 1996. Ex-deputado Federal pelo PPB – RJ por duas legislaturas (1990 / 1998), após cumprir oito anos de mandato como senador (1982 / 1990) por Mato Grosso, sua terra natal. Foi embaixador em Washington e em Londres. Participou, ao lado de Eugênio Gudin, do Encontro de Bretton Woods, que criou o Banco Mundial e o FMI – Fundo Monetário Internacional, negociou os créditos internacionais do Brasil no pós-guerra (origem da Companhia Siderúrgica Nacional – Volta Redonda), coordenou as ações econômicas do Plano de Metas do Governo Juscelino Kubitschek e foi ministro do Planejamento e Coordenação Econômica durante o Governo Castelo Branco. Defensor incondicional das liberdades democráticas e da livre iniciativa durante mais de 40 anos, em palestras, conferências, livros e artigos, defendeu a inserção do Brasil no contexto da economia internacional, com base na estabilidade monetária, na redução do tamanho e da influência da máquina administrativa nas atividades produtivas e na modernização das relações entre o Estado e a sociedade.

No seu ideário, estiveram as reformas da Constituição, da Previdência Social, fiscal e partidária, além da aceleração do processo de privatização das empresas estatais. Criador do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço -, da Caderneta de Poupança, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (posteriormente com o apêndice Social) e do Estatuto da Terra, que se adotado na década de 70, teria evitado os conflitos posteriores. Crítico ferrenho do dirigismo estatal, irônico nos comentários sobre as teses e diatribes esquerdizantes e profundo observador das transformações sócio-político-econômicas do mundo, Roberto Campos foi, também, um juiz de si mesmo.A seguir , texto de Gilberto Ramos , economista e ex vice prefeito do Rio de Janeiro sobre Roberto Campos , escrito logo após sua morte em 2001 ………………………………………………………………… ”O Brasil, já tão escasso de talentos, perdeu uma de suas maiores inteligências com a morte do embaixador Roberto Campos, economista de renome internacional. Tive a ventura de trabalhar com ele logo que me formei em 65. Sua personalidade me marcou profundamente.

Nascido de família humilde de Mato Grosso, estudou em seminário e quase ordenou-se padre. Aproveitando o conhecimento de vários idiomas que havia aprendido no seminário, fez concurso para o Itamarati, sem passar pelo Instituto Rio Branco, e tirou o primeiro lugar. Isto lhe permitiu escolher um bom lugar para começar a carreira diplomática tendo, por isso, sido nomeado para 3º Secretário da embaixada nos EUA. Resolveu então que, além da diplomacia, deveria estudar economia e pasmem – pouca gente sabe – foi, até hoje, o único estrangeiro desde a fundação da Universidade de Colúmbia a tirar nota máxima (10) em todas as matérias durante todo o curso. Sua cultura era fantástica.

Certa vez chegou ao Ministério do Planejamento uma delegação chefiada pelo arquiteto Doxiadis que havia sido contratado pelo governo carioca para fazer um plano urbanístico. Era o famoso Plano Policromático do qual fazem parte as Linhas Vermelha e Amarela. E ainda outras projetadas que continuam esperando por governantes competentes. Roberto Campos retornava de Lima e o avião atrasou. Como falo inglês, fiquei batendo papo com os gregos e fazendo as honras da casa até a chegada do Ministro. Duas horas depois ele entrava na sala e começava a reunião, falando em grego. Foi aí que soube que ele falava oito línguas. E escrevia.

Considero que a causa da liberdade perdeu um de seus maiores interlocutores. Divido o liberalismo brasileiro em três grandes autores: Joaquim Nabuco, Rui Barbosa e Roberto Campos. O primeiro pela ênfase que dava à liberdade cívica e sobre ela discorria com emoção anti escravocrata; o segundo pela suas geniais colocações no campo jurídico e político; o terceiro pela sua absoluta crença de que a liberdade econômica, expressa pelo mercado livre e baixa interferência estatal, estimularia a criatividade individual como propulsora do desenvolvimento nacional.

Era também um frasista inspirado. Um dia estávamos conversando e um inoportuno aproximou-se. Descartando-se do chato disse-me: – “Deus não foi tão misericordioso quanto dizem, afinal ele não nos deveria ter castigado permitindo o nascimento de mulheres feias e homens burros”.

Se brilhou como economista e diplomata, não teve o mesmo desempenho como empresário e político. No primeiro caso, ocupando o diretoria do Banco União Comercial, não conseguiu fazer o Banco crescer. Como político, foi senador por Mato Grosso e deputado pelo Rio. Teve mandatos brilhantes mas eleições apertadas, perdendo sua última eleição para o Senado em 98. E a razão de suas dificuldades no campo político eram previsíveis pois seu discurso estava sempre à frente do seu tempo. Além de não fazer concessões demagógicas. Aliás, sobre isso, ele sempre citava uma frase de Rui: – “há de chegar o dia no meu país, em que dizer a verdade, não signifique insanidade política”.

  1. #1 por Oswaldo - 25 de janeiro de 2010 às 18:22

    Boa noite sr Pedro Elizeu.Muito feliz a sua iniciativa de,através do seu site prestar uma homenagem ao inigualávelRobrto Campos.Figura única na história brasileira,merece sempre ser lembrado.Parabéns pela iniciativa.E que o Sr volte logo a ocupar o lugar que lhe é de direito.Felicidades.

  2. #2 por Rosemeire Mudnutti - 25 de janeiro de 2010 às 18:24

    Boa noite!
    Essa frase de Rui também faz parte da minha busca e certeza de que com a VERDADE é possível fazer uma política justa.

    Existem vários assuntos sobre os quais eu gostaria de falar: educação, política, filosofia, mas hoje a força do meu pensamento não permite que eu fale sobre esses temas, porque existe algo que há muito me coloca em reflexão: a relação entre os homens e as suas atitudes hipócritas.
    Refloresce sempre em mim lembranças sobre a maneira como um ser humano pode conduzir o seu relacionamento a partir da idéia fixa que tem de si mesmo: soberania sobre a inteligência das outras pessoas, como se fosse o único ser pensante na face da terra, capaz de ludibriar todos os outros ao seu redor, não obstante com a necessidade de sempre demonstrar a lealdade aos amigos, o companheirismo e a cumplicidade, numa constante falsidade.
    O que mais me impressiona, se posso assim definir minha indignação, é que esse tipo de pessoa acaba por acreditar em suas próprias armações, esquecendo-se da situação enganosa que construiu, e considerando um mérito a sua capacidade. No entanto a armadilha acaba por desarmar sobre a sua própria vida.
    Ora… Pela segurança com que pensa ter e pelo modo com que conduz a vida, o hipócrita pode fazer-se acreditar por muitas pessoas, mas o tempo mostra a sua verdadeira intenção . Simplesmente vai vivendo e construindo um emaranhado de inverdades que acabam por introduzi-lo num enredo com o final “sempre infeliz”. Alienado, num processo de loucura pela ambição, na busca do poder ou da vantagem, retrocede em tudo que conquistou.
    É importante que compreendamos a inteligência como um privilégio universal. O homem consegue desenvolver a cada dia de sua existência novas percepções e daí distinguir as palavras que traduzem a verdade e a mentira.
    Não sabemos exatamente por quanto tempo uma pessoa pode sustentar uma vida de mentiras, deslealdade e cobiça, mas entendemos que a hipocrisia está entre nós e que temos condição intelectual para entendermos a intenção das pessoas, além de exterminar a possibilidade de influência que podem exercer sobre nós.
    Tentei esclarecer o que penso sobre a hipocrisia e sobre os hipócritas de plantão porque encontro constantemente com pessoas que tentam, mas que não conseguem esconder o que realmente pensam, assim vou vivendo com a hipocrisia. E aí penso, penso muito… e não consigo entender porque essas pessoas acreditam que acredito nelas….

  3. #3 por Ricardo Buso - 25 de janeiro de 2010 às 18:45

    Prefeito:

    Em pleana era digital, marcada pelo imediatismo, pela impaciência e pela necessidade de atração a qualquer custo, dedicar tamanho espaço num blog ao grande Roberto Campos é louvável.
    Creio ainda que tamanha carga cultural só seria submetida à quem a suporta, comprovando o elevado nível do debate propiciado nesse espaço.

    Parabéns!

  4. #4 por Pedrinho Eliseu - 25 de janeiro de 2010 às 19:22

    Oswaldo :

    Boa noite sr Pedro Elizeu.Muito feliz a sua iniciativa de,através do seu site prestar uma homenagem ao inigualávelRobrto Campos.Figura única na história brasileira,merece sempre ser lembrado.Parabéns pela iniciativa.E que o Sr volte logo a ocupar o lugar que lhe é de direito.Felicidades.

    Boa noite Oswaldo , tudo bem ? Existem pessoas inigualáveis e considero Roberto Campos uma delas . Forte abraço e obrigado pelo comentário .

  5. #5 por Pedrinho Eliseu - 25 de janeiro de 2010 às 19:24

    Rosemeire Mudnutti :

    Boa noite!
    Essa frase de Rui também faz parte da minha busca e certeza de que com a VERDADE é possível fazer uma política justa.

    Existem vários assuntos sobre os quais eu gostaria de falar: educação, política, filosofia, mas hoje a força do meu pensamento não permite que eu fale sobre esses temas, porque existe algo que há muito me coloca em reflexão: a relação entre os homens e as suas atitudes hipócritas.
    Refloresce sempre em mim lembranças sobre a maneira como um ser humano pode conduzir o seu relacionamento a partir da idéia fixa que tem de si mesmo: soberania sobre a inteligência das outras pessoas, como se fosse o único ser pensante na face da terra, capaz de ludibriar todos os outros ao seu redor, não obstante com a necessidade de sempre demonstrar a lealdade aos amigos, o companheirismo e a cumplicidade, numa constante falsidade.
    O que mais me impressiona, se posso assim definir minha indignação, é que esse tipo de pessoa acaba por acreditar em suas próprias armações, esquecendo-se da situação enganosa que construiu, e considerando um mérito a sua capacidade. No entanto a armadilha acaba por desarmar sobre a sua própria vida.
    Ora… Pela segurança com que pensa ter e pelo modo com que conduz a vida, o hipócrita pode fazer-se acreditar por muitas pessoas, mas o tempo mostra a sua verdadeira intenção . Simplesmente vai vivendo e construindo um emaranhado de inverdades que acabam por introduzi-lo num enredo com o final “sempre infeliz”. Alienado, num processo de loucura pela ambição, na busca do poder ou da vantagem, retrocede em tudo que conquistou.
    É importante que compreendamos a inteligência como um privilégio universal. O homem consegue desenvolver a cada dia de sua existência novas percepções e daí distinguir as palavras que traduzem a verdade e a mentira.
    Não sabemos exatamente por quanto tempo uma pessoa pode sustentar uma vida de mentiras, deslealdade e cobiça, mas entendemos que a hipocrisia está entre nós e que temos condição intelectual para entendermos a intenção das pessoas, além de exterminar a possibilidade de influência que podem exercer sobre nós.
    Tentei esclarecer o que penso sobre a hipocrisia e sobre os hipócritas de plantão porque encontro constantemente com pessoas que tentam, mas que não conseguem esconder o que realmente pensam, assim vou vivendo com a hipocrisia. E aí penso, penso muito… e não consigo entender porque essas pessoas acreditam que acredito nelas….

    Boa noite de novo minha amiga . Transformei o comentário em um post , assunto espinhoso mas bastante interessante . Forte abraço e obrigado .

  6. #6 por Pedrinho Eliseu - 25 de janeiro de 2010 às 19:31

    Ricardo Buso :

    Prefeito:

    Em pleana era digital, marcada pelo imediatismo, pela impaciência e pela necessidade de atração a qualquer custo, dedicar tamanho espaço num blog ao grande Roberto Campos é louvável.
    Creio ainda que tamanha carga cultural só seria submetida à quem a suporta, comprovando o elevado nível do debate propiciado nesse espaço.

    Parabéns!

    Fico muito satisfeito que tenha gostado meu amigo Ricardo . Considero , como já disse em outro comentário , Roberto Campos inigualável e nada mais justo do que dedicarmos o espaço a ele . Aliás , vou começar a postar pequenas biografias de pessoas que eu admiro , o próximo , cujo texto já está até pronto , será Rui Barbosa . Acho que se temos esse pequeno espaço , vamos usá-lo para valorizar os grandes merecedores , não é mesmo . Forte abraço prá você .

(não será divulgado)
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